quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Botando pra quebrar

   Eu estava desempregado desde que sai da cadeia. Vivendo as custas de minha mulher, Mariazinha, que era costureira e trabalhava o dia inteiro na frente da máquina. Ganhava pouco, mal dava para ela e para a filha. Ninguém queria me empregar sabendo da minha ficha corrida. Porquinho queria que eu fosse para a Bolívia apanhar uma muamba para ele, mas se os policiais me pegassem, eu voltaria pro xadrez com mais 20 anos. Nesse mesmo dia, quando chego em casa, Mariazinha me disse que queria ter uma conversa séria comigo. Falou que a garotinha precisava de um pai e que eu ficava sem aparecer em casa e me pediu permissão para arrumar outro homem. A única coisa que eu falei foi “você esta certa”. Porque ela realmente estava. Comecei a procurar emprego quando encontrei um amigo meu que disse que sabe de alguém que precise de um segurança de boate. No mesmo instante, ele me levou pra conhecer o dono da boate, que me perguntou se eu já havia trabalhado nisso antes. Respondi que sim porque já tinha sido leão de boate em Copacabana. O dono falou que não queria moleza, e que não era pra deixar entrar bicha louca, crioulo e traficante. Fui correndo contar para Mariazinha que havia conseguido um emprego, mas ela nem deixou eu falar. Logo disse que já tinha arranjado um homem decente e trabalhador. Falou que Hermenegildo era um homem muito bom, e que queria se casar com ela. Ouvi tudo quieto, não sei o porquê. Sai para conversar com tal homem, ele trabalhava em uma loja de moveis. Tomamos uma cerveja e depois me dei conta que estava entregando minha mulher para aquele cara. Voltei para casa e Mariazinha estava com minhas coisas enroladas. Ela estava usando um vestido que eu gostava. Me deu um aperto no coração, mas apenas apertei a mão dela e disse adeus. Fui para a boate trabalhar, quando chega uma bicha para entrar na festa. Barrei ela como a ordem do dono. A bicha se altera e logo após, chega o dono mandando ela entrar dizendo que eu havia cometido um grande equívoco. Não entendi, pois tinha feito o que ele mandou. Um garçom me chamou dizendo que o chefe queria falar comigo. Ele me mostrou um homem e falou para eu expulsa-lo porque ele estava arranjando encrenca. Fui lá, falei grosso com o cara, chamei a garota que estava com ele de puta e mandei ele embora. Ele estava saindo quando uns caras de outra mesa ficaram me olhando. Para irritar, perguntei se algum deles queria levar uma bolacha. Para poder forçar a decisão deles, dei um tapa na cara da mulher que estava ao lado dele. Pronto. A briga começou em toda a boate. Me escondi no bar e não sobrou nada, nem garrafa nem lustre. A policia foi embora depois disso e falei pro dono da festa que ele teria que me pagar hospital e mais um dinheiro de gratificação, porque eu quebrei três dentes tentando defender a boate dele. Recebi um pacote de dinheiro, e fui embora.

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