quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Feliz Ano Novo

   Era véspera de ano novo e lá estava eu com meu parceiro Pereba assistindo a televisão e vendo tudo as madames comprando roupas chiques em lojas bacanas para usarem na virada do ano. Nossa situação tava tão crítica que falei para Pereba que iria esperar o dia raiar para pegar a galinha morta, a cachaça e a farofa que os macumbeiros deixaram na rua, pois ele estava reclamando de fome. Me disse para não contar com ele e lembrou-me do que tinha acontecido com o Crispim. Chutou uma macumba e agora ele esta andando de muleta. Pensei comigo, eu sei ler, escrever e fazer raiz quadrada, chuto a macumba que quiser. Acendemos um cigarro e continuamos a olhar a novela. Zequinha chegou e logo falou que a maré não estava boa pro lado dele, pois o Bom crioulo tinha levado 16 tiros, Vevé foi estrangulado e ele estava com medo de o próximo ser ele. Eu e ele tínhamos assaltado um mercado no Leblon, só que não tinha dado muita grana. Falei para Zequinha que as ferramentas do Lambreta tava todas aqui, uma carabina doze, de cano serrado e duas Magnum. Descemos as escadas e fomos ao apartamento de dona Candinha pegar um pacote. Ela nos entregou e voltamos para o nosso apartamento. Lá dentro tinha uma máquina ou uma arma, como preferirem. Zequinha falou que um dia daria um tiro em um policial e deixaria ele grudado na parede. Fumamos e bebemos mais um pouco ate tudo acabar. Tomamos uma decisão, fomos a procura de uma casa que esteja em festa. Pegamos o opala e encontramos um lugar perfeito. Jardim grande e a casa ficava lá no fundo. Colocamos as meias na cara e invadimos. Cheguei gritando que era um Assalto e mandei todo mundo deitar e ficar quito para não se machucar. Havia 25 pessoas. Mandei Pereba subir e pegar a mulher que estava no 2º andar. Pegamos tudo que tinha: dinheiro, cartões de credito, talão de cheque, relógios e as jóias das mulheres. Subi as escadas e vi uma mulher morta com as roupas rasgadas e a língua de fora. Pereba havia matado. Peguei as jóias dela também. Andei pelo corredor e encontrei uma velha deitada no chão, acho que morreu de susto. Arranquei colares, broches e anéis. Tinha um que não saia, então arranquei o dedo da velha com uma mordida e coloquei dentro do saco. Desci. Para assustar a todos, falei que quem se mexesse levaria um tiro na cabeça. Um homem, Maurício, disse que poderíamos levar tudo e comer a vontade que eles não denunciariam para a polícia. Mandei ele se levantar e chegar perto da parede. Dei um tiro no meio do peito e ele não ficou grudado na parede. Zequinha lembrou-me que tinha que ser em uma parede de madeira para grudar. Ele chamou um magrelo de cabelos compridos e mandou ele ficar perto da porta de madeira e deu um tiro. Ele ficou grudado por um tempo, mas logo depois foi escorregando.
   Enchemos toalhas e fronhas de jóias e comidas e fomos embora. Largamos o opala em uma rua deserta e voltamos para o apartamento como material. Botei as ferramentas no pacote, as jóias e o dinheiro em um saco e levei para a Dona Candinha. Subimos. Coloquei a toalha no chão com as comidas e as bebidas no chão. Pereba chegou, enchi os copos e falei: “Que o próximo ano seja melhor. Feliz ano novo!”

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