Chamo-me Milor Palor, sou o último campeão do campeonato de conjunção carnal. Este campeonato estava proibido por não se saber os efeitos que fazia no desenvolvimento psicossocial dos jovens, até que uma tarde na sauna resolveram me desafiar. O desafiante chamava-se Mauricio Chango, um ser sem nenhum cartel para me desafiar. Desafiou-me na frente de todos, Gorki, o corretor autorizado; M. Ribas,reserva de segunda; o atacadista Zamir Jacob; O médico Axelrud; o executivo J.R., meu contratante. Disse: “faço mais do que isso.”. Como ele pensa que pode fazer mais do que eu? Mais do que quatorze conjunções carnais em vinte e quatro horas? Não me espantei, sou um campeão e o destino de todos campeões é ser desafiado. Confesso que não queria ser desafiado por ele, além do mais para acontecer esse concurso era preciso uma supervisão o que não tinha, pois A Confederação Nacional Desportiva de Conjunção Carnal estava em recesso.
J.R., o executivo, garantiu que financiaria todo o evento e ofereceu-me uma bolsa de quinhentos mil. Não pude resistir, aceitei. J.R. mandou chamar Açoreano, que seria o arbitro do concurso, secretamente. Ele chegou todo de preto e com dois assistentes. Disse: “minhas decisões são incontestáveis, eu sou o Açoreano, comigo ninguém discute, eu sou a Lei e o Juiz.”
Nos falou das regras do concurso. Às doze horas de sábado às doze horas de domingo quem realizar o maior número de conjunções carnais será o vencedor, eu e meu desafiante ficaríamos cada um em um quarto, assistidos por um dos fiscais do Açoreano em todos os momentos do dia.Só poderíamos utilizar como estimulantes extras alguns recursos, entre eles, recursos audiovisuais. Não poderíamos ter a colaboração de terceiros; além dos fiscais eda parceira que poderia ser trocada a cada conjunção ninguém mais poderia entrar no quarto. O Açoreano, por ser o fiscal, poderia entrar na hora que quisesse nos quartos. Só seria aceita e computada a conjunção que obedecesse a todos estes quesitos: introdução vaginal do pênis, seguida de emissio seminis, também intra vas, mínimo de meio centímetro cúbico. Qualquer infração que cometêssemos poderia nos eliminar.
Açoreano alugou um hotel na orla marítima, o Aldebaran, para a realização do campeonato. Ele instalou equipamentos de transmissão de TV em circuito fechado; no living principal foram colocados dois vídeos para que os apostadores pudessem acompanhar os principais lances da porfia.
As dez horas da manhã de sábado eu, Parlo, e meu desafiante, Chango, estávamos nos apresentando. Tínhamos que escolher um assessor; eu escolhi Ursinho Meireles e Chango indicou Gorki. Nossos assessores ficaram incubidos de conseguir as parceiras que queríamos, organizar os recursos audiovisuais, cuidar de nossa alimentação e providenciar entretenimento.
Ursinho Meireles, meu assessor, distribuiuas informações sobre minhas parceiras, eram quinze, todas com as medidas regulares estabelecidas pela Sociedade Nacional de Normas Biométricas, ou seja, perfeitas. A idade média das minhas parceiras era dezoito anos e seis meses; a altura média era de 1,66 metros e o peso médio de 51,2 quilos. Sobre as parceiras de Maurição não sabíamos nada, era surpresa.
Eu e Maurição desfilamos pelados no living principal do Aldebaran e nos postamos em pedestais logo após para que os apostadores pudessem nos examinar e ver nossos sinais de aptidão e vocação. Ouvíamos muitos comentários sobre nossos corpos.
Gorki, logo após sairmos do living, anunciou que Maurição usaria muitos recursos audiovisuais. Segundo ele a correlação estímulo-resposta desses elementos seria um excelente resultado e eu não conseguiria acompanhar o ritmo de Maurição. Logo após, dói a vez de meu assessor anunciar nossa tática que era: durante as vinte e quatro horas, dormiria durante oito horas; minha alimentação seria de ostras com limão, carne crua, leite gelado e ovos de tucanos quentes; e finalmente, entre uma conjunção e outra, eu meditaria.
Às doze em ponto começou nosso confronto. Eu terminei minha primeira conjunção em 45 segundos e meu volume seminal foi exato. Meu concorrente terminou a sua em um minuto e doze segundos e seu volume seminal de um centímetro cúbico. Maurição começou sua segunda conjunção treze minutos e 48 segundos após a sua primeira; eu, Palor, comecei a minha uma hora depois da primeira, diminui meu tempo e mantive o volume seminal.
Às dezoito horas meu concorrente já tinha completado oito conjunções e eu, quatro. Maurição já estava levando muito tempo para ejacular, dez minutos ou mais. Então falei para os apostadores: “E vou ganhar esse campeonato. Vocês entendem que todos os campeonatos buscam apenas preservar a nossa natureza animal? Não podemos deixar de ser um animal. Não somos um inseto! Somos um animal! Ouviram, apostadores? Estamos presenciando o grande instante final da conjunção carnal. O formigueiro nos espera. Vocês me entendem?”
Eu ganhei o campeonato, efetuei quinze conjunções carnais nas vinte e quatro horas, bati meu próprio recorde. Meu concorrente completou apenas dez conjunções.
Após esse dia os campeonatos foram oficializados, mas eu nunca mais participei de nenhum e, meu recorde nunca foi batido. O esporte deixou de ser praticado há algum tempo. Ninguém mais se emociona com ele, aqui no formigueiro.
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