Estava com minha pasta cheia de papeis importantes quando cheguei em casa, vi minha mulher na cama, com o copo de uísque ao seu lado na mesa de cabeceia, estava jogando paciência. Sem olhar na minha cara, disse que estava com cara de cansado, que precisava aprender a relaxar, beber um uísque e ir trocar e roupa.
Depois fui para a biblioteca, gosto muito de lá, lugar da casa onde vou e ainda fico sozinho sem fazer nada. Logo após minha mulher entrou na sala, com seu copo na mão me perguntando se poderia já servir o jantar.
Fomos jantar, meus filhos já crescido me pediram dinheiro, cada um em um determinado momento. Logo após resolvi dar uma volta de carro, convidei minha mulher sabendo, é claro, que ela iria recusar. Respondeu-me dizendo que não achava em graça passear de carro todas as noites, mas pelo preço que ele tinha custado, tinha era que ser usado.
Para sair tive que tirar os carros dos meus filhos da garagem para depois tirar o meu. Até fiquei meio irritado, mas entrei no carro e senti sua potência, logo me acalmei. Saí sem rumo, estava a procura de uma rua deserta, sem movimento. Consegui chegar a uma rua muito mal iluminada, cheia de árvores, achei que era o lugar ideal. Não sabia se seria homem ou mulher, por um tempo fiquei tendo, não aparecia ninguém, eu até gostava, depois sempre o alivio é maior. Avistei de longe uma mulher, caminhando apressadamente, estava vestindo saia e blusa além de carregar um embrulho. Havia na rua de metros em metros, árvores, o que deveria com muito cuidado ser inspecionado. Então resolvi apagar as luzes do carro e acelerar. Quando subi o meio-fio é que ela percebeu que estava indo para cima dela. Bati nela no meio das duas pernas, acima do joelho, mais sobre a esquerda, consegui ouvir o barulho do impacto e dos seus ossos partindo, virei rapidamente para a esquerda, passei raspando por uma árvore, os pneus cantaram de volta ao asfalto. O motor do meu carro era bom, de longe, ainda vi o corpo da mulher em cima de um muro, desses baixinhos, todo cheio de sangue.
Em casa, na garagem revistei o carro. Passei a mão em sua frente, estava orgulhoso, sem nenhuma marca. A minha habilidade para lidar com essas máquinas poucos tem. Quando entrei estavam vendo televisão. Minha mulher perguntou sem desviar os olhos da TV se já estava mais calmo depois da voltinha. Apenas disse que iria dormir, dei boa noite á todos, e respondi que no dia seguinte iria ter um terrível dia na companhia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário