quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Nau Catrineta

   Sou Olímpia e hoje meu sobrinho está completando vinte anos, por isso que estou a declamar a Nau Catrineta aqui no corredor do seu quarto junto as minhas irmãs. De dentro do quarto escuto a voz de um sobrinho a dizer que está acordado. Minha irmã Helena carrega um velho livro. Regina, minha outra irmã, traz uma bandeja com o café da manhã. Julieta, uma cesta com frutas colhidas em nosso pomar. Eu me visto com o traje que usei para representar École dês femmes, de Molière.
   Hoje meu sobrinho lerá o diário secreto, no qual está definida sua missão. Eu estava ansiosa, naquela bela manhã, queria saber se ele já havia escolhido a moça. Ele me disse que sim.
   À noite eu e minhas irmãs daremos uma festa de aniversário para ele, na qual ele nos apresentará a moça escolhida. O nome da moça é Ermelinda. Nós entregamos o diário secreto ao nosso sobrinho e saímos; ele ligou para Ermê.
Eu, Olímpia, e minhas irmãs tiramos dos nossos baús os nossos mais pomposos vestidos. Nosso sobrinho deve estar muito pensativo após ver sua missão.
Agora já é noite e, meu querido sobrinho, vê o carro de Ermê se aproximando de sua casa. Ele a recebe na porta. Ela diz estar com medo, acha a casa sombria. Ele leva Ermê para a sala onde eu e minhas irmãs estamos. Moça muito carinhosa e educada.
Nosso sobrinho nos dá o aviso de que sua missão será cumprida hoje mesmo. A janta ocorre com alegria e muitas conversas. Ermê gosta de nós. Mas quando as histórias começam a ficar mais sombrias ela fica calada.
Eu junto com minhas irmãs resolvo ir para a capela e deixar nosso sobrinho e Ermê a sós.
   Após nós sairmos da sala os dois ficam a conversar e a se beijar. Nosso sobrinho leva uma garrafa de champagne para os dois. Sentam-se lado a lado; ele tira do bolso um frasco negro que minha irmã Helena havia entregado para ele pela manhã. Ele recebera esse frasco, pois estava escrito no diário secreto que sua missão é a de escolher e sacrificar uma pessoa no seu vigésimo aniversário. Mata-la e depois comê-la. E para que Ermê não sofra Helena lhe entregou esse frascoque tem um poderoso veneno.
   Ele esperto diz para Ermê que o frasco contêm o filtro do amor. Põe o veneno nos copos. Ela leva a taça à boca; a morte é instantânea.
Eu e minhas irmãs orgulhosas entramos na sala, vimos o corpo. Todas as partes serão aproveitadas, dos ossos até as carnes.  Ao final de tudo nós nos reunimos à mesa onde cada um comia um pedaço de carne e nosso sobrinho recebeu o Anel que ficava no dedo indicador de minha irmã Julieta. Agora ele é o chefe da família.


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